Tratamento de câncer de pulmão tem nova terapia aprovada pela Anvisa
Imunoterapia, indicada como primeira linha de tratamento, traz esperança para pacientes e segue padrão mundial de tratamento
Da Redação - Publicado: 19/06/2017 - Atualizado: 24/06/2017

O tratamento de câncer de pulmão avançado tem uma nova terapia, que foi aprovada pela Anvisa. O órgão aprovou a imunoterapia anti PD-1 pembrolizumabe (Keytruda, da MSD), que será indicada como primeira linha de tratamento para doentes com algumas indicações específicas.

Para o Instituto Lado a Lado pela Vida, essa notícia vem trazer esperança para muitos pacientes da doença. Preocupado em levar informação sobre o câncer que mais mata no mundo, o Instituto promoveu no dia 11 de maio o II Workshop Instituto Lado a Lado pela Vida Câncer de Pulmão, lançando um novo olhar sobre a doença. Durante o evento, especialistas debateram políticas públicas, parcerias, integração, investimentos em estudos e pesquisas para o câncer de pulmão.

O tratamento com pembrolizumabe é aplicado a pacientes com tumores avançados classificados como de não pequenas células (que respondem por 85% dos casos) e que apresentam altos níveis da proteína PD-L1 (cerca de 30% dos casos de não pequenas células).

“A imunoterapia veio para revolucionar o tratamento do câncer. O pembrolizumabe superou a quimioterapia no manejo de um dos tumores mais agressivos, o câncer de pulmão”, explica  Marcelo Cruz, oncologista clínico brasileiro, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado, atualmente trabalhando na Northwestern University, em Chicago – EUA. “A aprovação pela Anvisa deste medicamento na primeira linha do tratamento do câncer de pulmão no Brasil é um importante passo para nossos pacientes e segue o padrão mundial de tratamento”.

 

Estudos

Dados apresentados no congresso deste ano da Asco (American Society of Clinical Oncology) indicam que no grupo que utilizou pembrolizumabe, 61% dos pacientes continuaram vivos depois de um ano e meio de tratamento, contra 43% do grupo da quimioterapia. Outro bom resultado foi o fato de a terapia reduzir em 37% o risco de morte por qualquer causa.

Outra vantagem do pembrolizumabe foi a menor quantidade de efeitos colaterais: enquanto com a imunoterapia 26,6% dos pacientes tiveram eventos adversos graves, com a quimioterapia essa taxa foi duas vezes maior (53,3%).

A aprovação da Anvisa para uso do medicamento em primeira linha teve como base o estudo de fase III KEYNOTE-024. Entre os principais resultados, 80% dos pacientes do grupo do pembrolizumabe permaneceram vivos após seis meses de tratamento – e 70% no grupo da quimioterapia3. A imunoterapia reduziu em 50% o risco de progressão da doença.

 

Programa de diagnóstico

A MSD lança o programa PD-POINT de diagnóstico para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células. Através da iniciativa, os médicos podem solicitar gratuitamente um teste para determinar a expressão do biomarcador PD-L1 na amostra de tumor do paciente.

Com o resultado é possível saber se o paciente tem mais chance de obter resultados expressivos com o tratamento de imunoterapias anti PD-1. Essas avaliações ajudam a produzir uma medicina ainda mais personalizada, verificando a terapia mais indicada para cada caso.

Desde o início deste ano o pembrolizumabe é usado no Brasil no tratamento de melanoma avançado como primeira opção terapêutica. Esta imunoterapia anti PD-1 está sendo avaliada para mais de 30 tipos de tumores.

 

 

Saúde