“Paciente com fibrilação atrial não tratada carrega bomba relógio no peito”, afirma cardiologista
Doença aumenta em 10% as chances de desenvolver um Acidente Vascular Cerebral
Da Redação - Publicado: 27/10/2017 - Atualizado: 19/11/2017

Pouco conhecida, a fibrilação atrial é uma doença cardiovascular que atinge 2 milhões de brasileiros, em sua maioria acima dos 60 anos. Trata-se de um tipo de arritmia que faz com que o sangue não corra da maneira que deveria, facilitando a formação de coágulos. Segundo o cardiologista Dr. Francisco Saraiva a condição aumenta em 10% o risco de ter um AVC. “Um em cada seis casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) é causado por fibrilação atrial”, afirma.

A estimativa, segundo o cardiologista, é de que em 2018 200 mil pessoas terão AVC provocado por fibrilação atrial. O AVC é hoje a segunda causa de mortes no País e a primeira causa de incapacidade. “A prevalência da fibrilação atrial hoje é alta porque a população está envelhecendo. O risco de desenvolver o problema aumenta com a idade e duplica a cada década”.

A hipertensão, o diabetes, o infarto, o hipertireoidismo e o consumo de álcool são alguns dos fatores de risco por trás dessa doença. Seus principais sintomas são fadiga, vertigem e palpitações. “Muitas vezes o paciente procura atendimento médico e apenas os sintomas são medicados. Não é feita uma investigação profunda”, explica o cardiologista. “Um simples eletrocardiograma poderia detectar o problema”. Além deste exame, o Holter 24 horas também é utilizado para o diagnóstico.

Essa falta de conhecimento e negligência, segundo Dr. Saraiva, faz da fibrilação atrial uma doença grave. O tratamento deve ser feito com medicamentos anticoagulantes, no entanto muitos médicos evitam prescrevê-los por conta do seu principal efeito colateral, que é o risco de sangramento. Para o cardiologista, essa é uma atitude que tem condenado milhares de vidas todos os anos. “Se diagnosticada e tratada a fibrilação atrial, poderíamos prevenir 30 mil casos de AVC por ano”.

“Grande parte da população ainda encara doenças cardiovasculares como fatalidade”

Uma pesquisa realizada com 2001 indivíduos entre 18 e 65 anos, com intuito de mapear o conhecimento da população sobre doenças cardiovasculares, revelou que 63% deles nunca ouviram falar em arritmia ou fibrilação atrial.

O levantamento também apontou que, entre aqueles que têm a doença, 47% não fazem uso de anticoagulantes, tratamento fundamental para diminuir o risco de AVC.  “Em muitos casos trata-se de uma decisão médica não receitar o tratamento”, afirmou Dr. Saraiva. Segundo eles, muitos especialistas temem o risco de sangramento no paciente, caso sofra alguma queda ou acidente de trânsito.

Apesar dessa ponderação, essa escolha não leva em conta o risco do paciente não tratado sofrer um AVC. “Hoje existe uma nova droga que serve como ‘antídoto’ para o principal efeito dos anticoagulantes, que é o sangramento”.  Esse medicamento deve ser incorporado em UTIs e centros cirúrgicos, para garantir a segurança de pacientes que fazem uso contínuo de anticoagulantes.

Até o momento, a nova droga, já aprovada pela Anvisa, não foi incorporada ao SUS. “80% dos pacientes que sofrem AVC estão totalmente ‘descobertos’ no SUS”, declarou o cardiologista.

Campanha o “Som do Coração”

Para aumentar o alerta sobre essa importante doença ainda desconhecida, a  Boehringer Ingelheim, em parceria com o Instituto Lado a Lado Pela Vida, criou a campanha #OSomdoCoração.

O cantor Jorge Vercillo, convidado para apoiar essa iniciativa, ensina neste vídeo que existem sons, ritmos e sinais que dizem muito sobre a nossa saúde. Confira!

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